quarta-feira, 20 de outubro de 2010

ESPÍRITO DA ALMA - A ESCOLHA DA FILHA!

A Filha do Patrão - Arthur Azevedo - A Artur de Mendonça

O comendador Ferreira esteve quase a agarrá-lo pelas orelhas e atirá-lo pela escada abaixo com um pontapé bem aplicado. Pois não! um biltre, um farroupilha, um pobre-diabo sem eira, nem beira, nem ramo de figueira, atrever-se a pedir-lhe a menina em casamento! Era o que faltava! que ele estivesse durante tantos anos a ajuntar dinheiro para encher os bolsos a um valdevinos daquela espécie, dando-lhe a filha ainda por cima, a filha, que era a rapariga mais bonita e mais bem educada de toda a rua de S. Clemente! Boas! O comendador Ferreira limitou-se a dar-lhe uma resposta seca e decisiva, um «Não, meu caro senhor» capaz de desanimar o namorado mais decidido ao emprego de todas as astúcias do coração.
O pobre rapaz saiu atordoado, como se realmente houvesse apanhado o puxão de orelhas e o pontapé, que felizmente não passaram de tímido projeto. Na rua, sentindo-se ao ar livre, cobrou ânimo e disse aos seus botões: — Pois há de ser minha, custe o que custar! — Voltou-se, viu numa janela Adosinda, a filha do comendador, que desesperadamente lhe fazia com a cabeça sinais interrogativos. Ele estalou nos dentes a unha do polegar, o que muito claramente queria dizer:
— Babau! — e, como eram apenas onze horas, foi dali direitinho espairecer no Derby-Clúb. Era domingo e havia corridas.
O comendador Ferreira, mal o rapaz desceu a escada, foi para o quarto da filha, e surpreendeu-a a fazer os tais sinais interrogativos. Dizer que ela não apanhou o puxão de orelhas destinado ao moço, seria faltar à verdade que devo aos pacientes leitores; apanhou-o, coitadinha! e naturalmente, a julgar pelo grito estrídulo que deu, exagerou a dor física produzida por aquela grosseira manifestação da cólera paterna.
Seguiu-se um diálogo terrível:
— Quem é aquele pelintra?
— Chama-se Borges.
— De onde você o conhece?
— Do Clube Guanabarense... daquela noite em que papai me levou...
— Ele em que se emprega? que faz ele?...
— Faz versos.
— E você não tem vergonha de gostar de um homem que faz versos?
— Não tenho culpa; culpado é o meu coração.
— Esse vagabundo algum dia lhe escreveu?
— Escreveu-me uma carta.
— Quem lhe trouxe?
— Ninguém. Ele mesmo atirou-a com uma pedra, por esta janela.
— Que lhe dizia ele nessa carta?
— Nada que me ofendesse; queria a minha autorização para pedir-me em casamento.
— Onde está ela?
— Ela quem?
— A carta!
Adosinda, sem dizer uma palavra, tirou a carta do seio. O comendador abriu-a, leu-a, e guardou-a no bolso. Depois continuou:
— Você respondeu a isto? A moça gaguejou.
— Não minta!
— Respondi, sim, senhor.
— Em que termos?
— Respondi que sim, que me pedisse.
— Pois olhe: proíbo-lhe, percebe? pro-í-bo-lhe que de hoje em diante dê trela a esse peralvilho! Se me contar que ele anda a rondar-me a casa, ou que se corresponde com você, mando desancar-lhe os ossos pelo Benvindo (Benvindo era o cozinheiro do comendador Ferreira), e a você, minha sirigaita... a você... Não lhe digo nada!...
II
Três dias depois desse diálogo, Adosinda fugiu de casa em companhia do seu Borges, e o rapto foi auxiliado pelo próprio Benvindo, com quem o namorado dividiu um dinheiro ganho nas corridas do Derby. Até hoje ignora o comendador que o seu fiel cozinheiro contribuísse para tão lastimoso incidente. O pai ficou possesso, mas não fez escândalo, não foi à polícia, não disse nada nem mesmo aos amigos íntimos; não se queixou, não desabafou, não deixou transparecer o seu profundo desgostO. E teve razão, porque, passados quatro dias, Adosinda e o Borges vinham, à noite, ajoelhar-se aos seus pés e pedir-lhe a bênção, como nos dramalhões e novelas sentimentais.
III
Para que o conto acabasse a contento da maioria dos meus leitores, o comendador Ferreira deveria perdoar os dois namorados, e tratar de casá-los sem perda de tempo; mas infelizmente as coisas não se passarão assim, e a moral, como vão ver, foi sacrificada pelo egoísmo.
Com a resolução de quem longamente se preparara para o que desse e viesse, o comendador tirou do bolso um revólver e apontou-o contra o raptor de sua filha, vociferando:
— Seu biltre, ponha-se imediatamente no olho da rua, se não quer que lhe faça saltar os miolos!...
A esse argumento intempestivo e concludente, o namorado, que tinha muito amor à pele, fugiu como se o arrebatassem asas invisíveis.
O pai foi fechar a porta, guardou o revólver, e, aproximando-se de Adosinda, que, encostada ao piano tremia como varas verdes, abraçou-a e beijou-a com um carinho que nunca manifestara em ocasiões menos inoportunas. A moça estava assombrada: esperava, pelo menos, a maldição paterna; era, desde pequenina, órfã de mãe, e habituara-se às brutalidades do pai; aquele beijo e aquele abraço afetuosos encheram-na de confusão e pasmo.
O comendador foi o primeiro a falar:
— Vês? — disse ele, apontando para a porta — vês? O homem por quem abandonaste teu pai é um covarde, um miserável, que foge diante do cano de um revólver! Não é um homem!...
— Isso é ele — murmurou Adosinda baixando os olhos, ao mesmo tempo que duas rosas lhe desfaziam a palidez do rosto.
O pai sentou-se no sofá, chamou a filha para perto de si, fê-la sentar-se nos seus joelhos, e, num tom de voz meigo e untuoso, pediu-lhe que se esquecesse do homem que a raptara, um troca-tintas, um leguelhé que lhe queria o dote, e nada mais; pintou-lhe um futuro de vicissitudes e misérias, longe do pai, que a desprezaria se semelhante casamento se realizasse; desse pai, que tinha exterioridades de bruto, mas no fundo era o melhor, o mais carinhoso dos pais. No fim dessa catequese, a moça parecia convencida de que nos braços do Borges não encontraria realmente toda a felicidade possível; mas...
— Mas agora... é tarde — balbuciou ela; e voltaram-lhe à face as purpurinas rosas de ainda há pouco.
— Não; não é tarde — disse o comendador. — Conheces o Manuel, o meu primeiro caixeiro do armazém?
— Conheço: é um enjoado.
— Qual enjoado! É um rapaz de muito futuro no comércio, um homem de conta, peso e medida! Não descobriu a pólvora, não faz versos, não é janota, mas tem um tino para o negócio, uma perspicácia que o levará longe, hás de ver!
E durante um quarto de hora o comendador Ferreira gabou as excelências do seu caixeiro Manuel. Adosinda ficou vencida. A conferência terminou por estas palavras:
— Falo-lhe?
— Fale, papai.
IV
No dia seguinte o comendador chamou o caixeiro ao escritório, e disse-lhe:
— Seu Manuel, estou muito contente com os seus serviços.
— Oh! patrão!
— Você é um empregado zeloso, ativo e morigerado; é o modelo dos empregados.
— Oh! patrão!
— Não sou ingrato. Do dia primeiro em diante você é interessado na minha casa: dou-lhe cinco por cento além do ordenado.
— Oh! patrão! isso não faz um pai ao filho!...
— Ainda não é tudo. Quero que você se case com minha filha. Doto-a com cinqüenta contos.
O pobre-diabo sentiu-se engasgado pela comoção: não pôde articular uma palavra.
— Mas eu sou um homem sério — continuou o patrão. — A minha lealdade obriga-me a confessar-lhe que minha filha... não é virgem.
O noivo espalmou as mãos, inclinou a cabeça para a esquerda, baixou as pálpebras, ajustou os lábios em bico, e respondeu com um sorriso resignado e humilde:
— Oh! patrão! ainda mesmo que fosse, não fazia mal!


Álbum Alma Espírito!!!

Um clip de nossa peça... Qual música? Como é? Só vendo "Nós Somos Encantados" em novembro aguardem!!!

A irmã Sorriso entra em cena... Quem é ela??? Por que Sorriso??? Em novembro em "Nós Somos Encantados" tudo isso e um pouco mais!


"Vídeo Arte" - Festival TV Tupi - "Beto Rockfeller" - 1968/1969 - Reportagem sobre os 40 anos da novela realizada pela Tv Cultura em 2008!



"Vídeo Arte" - "O Coração Do Bosque" - Onde andas nosso coração??? Qual bosque da vida?? Pedido de Bruno!

terça-feira, 19 de outubro de 2010

O ESPÍRITO - SOMOS OS NOSSOS DEMÔNIOS!!!

Galera mais um trecho do livro “Nas Fronteiras da Loucura” que traz em suas páginas significativas palavras sobre o comportamento humano de nossos espíritos perante a vida de encarnados e como é a repercussão na própria encarnação ou no estado de espíritos desencarnados as conseqüências de nossos atos.

Capítulo 06 – Lições Proveitosas – Um novo trecho do capítulo.

“Moçoilas-objeto e rapazes-negociáveis são vítimas de hábeis exploradores que os aliciam e empurram no pantanal, extorquindo dinheiro de vítimas imprevidentes, enquanto os afogam no lodo, sem possibilidade de salvação. Pessoas responsáveis, portadoras de inquietações que fazem parte do processo de evolução, deixam-se mergulhar na bacanal inconseqüente, sem pensarem no dia seguinte... Raros divertem-se, descontraem-se sadiamente, desde que os apelos fortes dirigem à consumação de todas as reservas de dignidade e respeito nas fornalhas dos vícios e embriaguez dos sentidos. Saturado pelo sofrimento e cansado das experiências inditosas, o homem, por fim, regenerar-se-á ao influxo da própria dor e sôfrego para fruir o amor que lhe lenificará as íntimas inspirações da alma.”

O texto se refere mais diretamente ao carnaval, pois, o livro trata especificamente dos acontecimentos no período do grande feriado de fevereiro ou março e coloca para todos os leitores as situações provocadas pelos encarnados e que automaticamente se ligam aos desencarnados que vivem na mesma sintonia de desequilíbrio. O problema não é o carnaval, mas sim o que o homem faz dele. São dias em que todos resolvem se libertar de suas vidas “aborrecidas” e desvairar de todas as formas. Neste quadro perde-se a noção do bom senso, da responsabilidade, da moral, tudo é permitido. A questão é que a maioria de nós traz no íntimo muitas perversões de todas as formas que estão latentes, entretanto no momento em que abrimos a porta para a tal “liberdade” todas elas podem vir a baila e realizamos nossos desejos mais loucos. Não somos santos, não somos perfeitos, trazemos os demônios em nós, nós ainda somos demônios em certas situações, e há momentos na vida, como no carnaval que deixamos esses demônios serem nossas fantasias e fazemos tudo que sempre acalentamos no íntimo, mas nunca tivemos coragem, e aí muitos podem perder a razão mental, se prejudicarem fisicamente e ocasionar outras situações que levarão para o resto da vida ou das encarnações futuras.
Poucos se seguram e conseguem fazer desses dias, dias saudáveis de aproveitamento e diversão edificante. Muitos encarnados que vivem nessas situações para eles já “normais” tentam e muitas vezes conseguem arregimentar mais encarnados para suas orgias e assim com todos entram em cena vários espíritos desencarnados com sede no mesmo propósito que se aliam as almas encarnadas e a festa esta feita dos dois lados da vida. E muitas conseqüências nascerão para o presente e futuro e cada um terá sua prova ou expiação a passar.
O carnaval deveria e é uma festa de arte, só que hoje em dia essa parte está esquecida, a arte é mera presença, os delírios nossos são o ponto forte da festa, pouco se nota do que é arte, a música não tem mais significado, o ritmo não muda, e o dinheiro é o que conta em toda essa história afinal. Se ganha com os desfiles, com as bebidas, com as drogas e principalmente com o sexo. E aparentemente isso é o “normal”, até quando?
E podemos levar essas palavras para as baladas de fim de semana onde muitos jovens se entregam aos outros sem noção da moral, tudo é permitido, existe disputa de quantos garotos ou garotas serão beijadas, o ficar é recorrente, fica-se com mais de 5 em uma noite e assim vai, fora o consumo de álcool e drogas, e o sexo rola a fora sem limites... Tudo isso é diversão? Saúde? Juventude?
Não é questão de ser moralista, contudo precisamos colocar as coisas em ordem em nossas vidas, não somos santos, nem perfeitos, porém está no momento de cada um parar e pensar quando vamos mudar as coisas, afinal um dia o arrependimento, o cansaço, as dores baterão em nossa porta, será que precisamos esperar o pior acontecer para tomar as atitudes necessárias? Dor ou amor??? Sempre nossa escolha... Nos dias atuais não é fácil escolher... Tentações mil, desejos desregulados, íntimos cheios de sentimentos ansiosos... Estamos em nossas próprias mãos... Escolhamos...




Álbum Alma Espírito!!!

Isso??? Nem vou comentar, só vendo "Nós Somos Encantados" em novembro!!!!

A cozinha maravilhosa de Ofélia! Não nos responsabilizamos pelas receitas apresentadas... "Nós Somos Encantados" em novembro!!!!


"Vídeo Arte" - Festival TV Tupi - "Beto Rockfeller" novela apresentada entre 1968 e 1969! Grande sucesso e a virada da telenovela na televisão!



"Vídeo Arte" - Katy Perry - "Teenage Dream" - Sonho Adolescente - Nossos sonhos ainda são adolescentes? Ou nós que ainda não saímos da adolescência? Sonhos? Que sonhos?

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

CRÔNICA DA ALMA - SOTERRADOS?

Na semana passada o mundo todo parou para ver o resgate dos mineiros presos por 70 dias em uma mina no Chile. Eles ficaram todo esse tempo soterrados enquanto o governo e engenheiros bolaram um plano de salvamento que deu certo e todos saíram vivos. Com certeza foram dias difíceis tanto para eles como para seus familiares, a expectativa do plano ser bem sucedido, a maneira que eles sobreviviam embaixo da terra, tudo isso mexeu com o país, Chile, como com o mundo que acompanhou ao vivo esse resgate. E nesse contexto todos estavam soterrados pela circunstância, eles, as famílias, o governo, na espera do que poderia acontecer. Após o salvamento é uma nova vida para todos e o sufoco terminou para todos os envolvidos. Isso me levou a pensar em quantas coisas nós mesmos soterramos em nossa vida. Sim, deixamos de fazer muitas coisas, sonhamos e não realizamos e nem tentamos, vamos soterrando ideias, sonhos, vontades, planos...
Será que estamos em uma vida soterrada pela nossa própria vontade? Vivemos as mesmas situações, estamos no mesmo espaço, continuamos com os mesmos desejos, porém, deixamos eles soterrados por medo, por falta de coragem, audácia, preconceitos, não mudamos nada, não transformamos nada, mas queremos que haja transformações, novos caminhos. Contudo se não tirarmos a montanha de coisas que colocamos para nos soterrar corremos o risco de sufocar sem oportunidades alguma de salvação.
Qual será a cápsula que irá nos salvar? Nos puxar do buraco em que nos metemos para voltar ver a luz do sol, do dia. Enquanto estivermos soterrados não vemos nada mais a nossa frente a não ser o que já existe e lamentamos, ou seja, estamos cegos, no escuro, enquanto no buraco, não há para onde ir, não há caminho a vista, tudo é sem brilho, sem perspectivas.
Onde está nossa saída? Em nós mesmos, nós somos as cápsulas de nossa salvação. Precisamos movimentar nossa vontade para fazer que subamos e saiamos do nosso buraco onde estamos soterrados. Nossa visão precisa crescer, ver mais adiante, não ter receio de arriscar, enfrentar obstáculos, alguns talvez nos soterrem por momentos, mas é erguer e sair do buraco com a certeza de novas tentativas, a vida é assim há situações em que vamos nos sentir soterrados sem ação, entretanto é uma fase logo em seguida podemos colocar nossa capacidade para sairmos do enrosco e ver uma luz nova que nos proporciona novas direções. O que não podemos é soterrar nossa vida atual como se não houvesse mais chances de resgate. Sempre há alguma cápsula salvadora para que nos puxe de onde nos encontramos, há cápsulas externas que tentam nos resgatar e não podemos esquecer que nós podemos ser nossa própria cápsula de resgate com a esperança em nosso coração para batalhar por melhores dias.
Analisemos se não estamos soterrados por sentimentos, emoções, pensamentos e façamos um resgate urgente de nós mesmos se percebermos algo que não deixe nós ver a luz da vida como se deve, se não conseguirmos por nós, peçamos ajuda a alguma cápsula amiga que com certeza não se negará ao resgate de nossa alma.
Soterrados só se quisermos estar... Basta querer ser regatado e sair do buraco...

Álbum Alma Espírito!!!
Nossa freira cigana em "Nós Somos Encantados". Ela é mais freira ou cigana??? Hum só vendo a peça.... Em novembro!!!
Nosso cameraman em "Nós Somos Encantados" ensaio com qualidade... De demora e tempo... Qual a duração da peça??? Sabe que não sei... Em novembro!


"Vídeo Arte" - Festival TV Tupi - "Antônio Maria" novela de 1968 abertura de um de seus capítulos!


"Vídeo Arte" - Santa Esmeralda - "Don´t Let Me Be Misunderstood" - Não me deixe confuso - Quando ficamos confusos?? O que causa confusão em nossas vidas?? Nós somos a confusão?? Música que compõe a trilha de "Nós Somos Encantados"